O Codex Khabouris é um manuscrito do Novo Testamento em aramaico, sendo que a escrita utilizada é o estrangelo. O texto em si é praticamente igual ao da Peshitta Oriental, com apenas pequenas diferenças ortográficas. Possui os 22 livros considerados canônicos pela Igreja Assíria do Oriente, não se encontrando certas passagens, como a Perícopa da Adultera. O colofon do manuscrito traz o selo de um bispo de Nineveh (hoje Mosul, Iraque).

Página 117 do Codex Khabouris - final do Evangelho de Marcos e início do Evangelho de Lucas (o texto em vermelho - rúbrica - conecta os dois livros)
O manuscrito foi datado através de testes com carbono como sendo do século XI, o que condiz com a análise paleográfica.
Alguns estudiosos, após analisarem o colofon [1], afirmam que o Codex é uma cópia de um manuscrito que foi escrito 100 anos após a “Grande Perseguição”. Esta perseguição é geralmente interpretada como sendo a perseguição perpretada pelo imperador romano Nero aos cristãos no ano 65 A.D. Ou seja, o Codex Khabouris seria a cópia de um manuscrito do Novo Testamento do segundo século.
Mas Paul Younan, cuja língua nativa é o aramaico, e profundo conhecedor da História da Igreja no oriente, afirma, após ter lido o colofon, que não encontrou nenhuma referência aos “100 anos”. Afirma ainda que a “Grande Perseguição” não se refere a Nero:
“A grande perseguição referida no colofon não é a perseguição de Nero. Nero foi um imperador de Roma, e esta perseguição aconteceu no Império Romano, e não no Império Persa, onde o Khabouris foi copiado no século XI.
Existe apenas uma perseguição (de muitas, é claro) que é chamada de “Grande Perseguição” ( “radptha rabba”), e que é a perseguição de Shapur II, o Xá da Pérsia (310-379 dC). Depois que Constantino fez do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a percepção dos governantes persas era a de que a Igreja do Oriente era um agente do Império Romano.
[...]
A “Grande Perseguição” da Igreja do Oriente começou na Sexta-feira Santa, 344 A.D. com o martírio do Patriarca Mar Shimon bar-Sabbae, com 5 bispos e 100 anciãos da igreja na cidade de Susa …. Mar Shimon sendo o último a morrer.
[...]
alguns estimam que tantos como 190.000 foram mortos durante este tempo [...][2]“.
Portanto, o Codex Khabouris é uma cópia feita no século XI, de um manuscrito do século IV. Paul Younan acredita ainda que este manuscrito do século IV é uma cópia do Novo Testamento em Aramaico mais antigo ainda, provavelmente do século I.
Assim, com o Khabouris temos, creio eu, um texto de 3a. geração que estava muito próximo ao original, uma vez que só 2 … ou um máximo de 3 escribas, no total, tiveram suas mãos em cima. É por isso que é tão valioso. É apenas o 3o. elo da cadeia.[2]
[1] http://whyagain.com/khabouris_history.php
Onde encontrar:
1. Você pode encontrar fotos do manuscrito completo neste endereço: http://whyagain.com/KhaburisKhaboris/index.php
Observação: O autor deste blog não concorda com o conteúdo do site http://whyagain.com/ usando-o únicamente como referência para as fotos do Codex Khabouris.
2. Stephen P. Silver, um grande estudioso da língua e cultura aramaica, oferece uma transcrição do Codex, lado a lado com as fotografias, aqui: http://www.dukhrana.com/khabouris/ S. P. Silver também alinhou ao lado da transcrição, a tradução da Peshitta feita por John W. Etheridge, em inglês.
O site http://www.dukhrana.com/ oferece ainda um excelente dicionário on-line aramaico-ingês inglês-aramaico, e várias outras ferramentas de estudo para aramaico.

Obrigado!